26 de fevereiro de 2011

A China ultrapassa o Japão e passa a segunda maior economia do mundo


Já era esperado por todos, a China ultrapassou o Japão em 2010 e passou a segunda maior economia do mundo, os dados divulgados durante o ano passado vieram confirmar as previsões, daí este facto assinalável, não causar nenhuma surpresa.

Um facto interessante é que a economia do Japão está em recuperação, cresceu 3.9% em 2010, o primeiro crescimento anual dos últimos três anos, mas não chegou para o enorme crescimento da economia chinesa. Apesar de terem sido durante 42 anos a segunda economia mundial e perderem esse lugar para a China, os responsáveis japoneses encaram isso como uma oportunidade. A procura sustentada do país mais populoso do mundo é vista como uma boa perspectiva de crescimento para a economia do Japão, que continua a depender da procura externa para se desenvolver, podendo subir a produção interna, as exportações e promover o turismo.

O Japão actualmente exporta mais produtos para a China do que para qualquer outro país. Os envios para a China correspondem a 19,4% das exportações totais no ano passado, enquanto que os EUA contam com 15,4%. A China é o maior mercado mundial de automóveis e o maior consumidor de energia. Em quatro anos ultrapassou a economicamente a Alemanha e o Japão, tem agora como objectivo superar os Estados Unidos já em 2020, o que é sem dúvida assinalável. 


      Comparação gráfica das duas economias nos últimos 50 anos




25 de fevereiro de 2011

Kadafi em Trip(oli)





Revolta nos EUA III - Onde está Obama?



Onde está o Obama que apareceu na TV, quando o assunto foi internacional, clamando pelo respeito dos direitos humanos e os direitos dos povos, o disse que em democracia devemos respeitar a vontade do povo?

Porque fecha os olhos ao que se está a passar no seu país?

Porque é que as estações de televisão não divulgam e os jornais escrevem muito pouco sobre este assunto?

Por cá, continuaremos a divulgar os acontecimentos da revolta popular nos EUA.

Em baixo, dois excelentes vídeos sobre o que se está a passar nos EUA, que complementam os dois últimos posts, publicados aqui no fogemariafoge:









Tradução possível no cc






24 de fevereiro de 2011

Revolta nos EUA – Continuam os protestos em Wisconsin II




O governador republicano Scott Walker, ameaça despedir 1500 trabalhadores da função pública a curto prazo e forçar outros 6000 a abandonarem os postos de trabalho durante os próximos dois anos, se a sua proposta anti-sindical para eliminar os direitos de negociação dos funcionários públicos não for aprovada.

É disto que se trata, mais do que todas as outras medidas propostas para o controlar o défice, esta é um sério ataque aos direitos dos trabalhadores, com a tentativa de abolir os direitos de negociação colectiva, e que está a causar indignação a muitos norte-americanos. Para além de Wisconsin, outros estados preparam-se para colocar em prática medidas idênticas, como em Ohio, Indiana, Tennessee, Illinois, Califórnia, Michigan, Alasca, Iowa e Nova Jersey.



Esta situação já deu origem a diversas manifestações, em várias regiões e tem provocado alguns dos maiores protestos nos EUA desde a guerra do Vietname nos anos de 1960 e 1970. 

Entretanto, Jeff Cox, um Procurador-Geral Adjunto do estado do Indiana, através do twitter, defendeu que a polícia devia usar balas verdadeiras contra os trabalhadores que se manifestam em Wisconsin, alegando que são “inimigos políticos” e “bandidos” que ameaçaram fisicamente quem foi legitimamente eleito, acrescentando: “pode ter a certeza que defendo o uso da força mortal”.
Entretanto a Procuradoria Geral de República anunciou que Jeff Cox foi afastado do cargo, depois de rever as publicações no site Mother Jones.



23 de fevereiro de 2011

José Afonso

                                                    24 anos de saudade


Apesar de só te encontrares ausente fisicamente, fazes muita falta…

A falta que fazes Zeca Afonso: o homem, o poeta, o cantor, o professor...

A falta que fazes para denunciar estes novos "vampiros" do sistema…

A falta que fazes aos jovens da sociedade de hoje…

A falta que fazem as mensagens de um símbolo da luta pela liberdade…





  

22 de fevereiro de 2011

Revolta nos EUA – Continuam os protestos em Wisconsin


                                                                                                                                      
Dos protestos que duram há uma semana, este é o maior até ao momento. Milhares de funcionários públicos de todo o estado de Wisconsin, professores, bombeiros, estudantes, milhares de trabalhadores do sector privado, escolas fechadas e polícias à procura de deputados ausentes. Os manifestantes ocuparam o Capitólio, bloquearam as portas e fixaram-se nas galerias  com palavras de ordem de “liberdade, democracia, sindicatos!”.

Exibem cartazes de protesto :  "Protesto como um egípcio" 

"Se o Egipto pode ter democracia, por que não Wisconsin"


Cerca de 75.000 pessoas protestaram no último sábado, em frente ao Capitólio da cidade de Madison, capital do Estado de Wisconsin, Estados Unidos, contra os cortes sociais propostos pelo governador republicano Scott Walker.  

Para combater o défice orçamental o governador pretende reduzir os gastos com a educação e impor uma redução efectiva de 20% no salário dos funcionários públicos. A intenção do governador é também eliminar o direito de negociação adquirido pelos funcionários públicos desde 1959.

Nos próximos dias manifestações de apoio aos manifestantes de Wisconsin serão realizadas no Nevada, Carolina do Norte e Montana, entre outros, bem como protestos em todos os estados que se preparam para aprovar medidas idênticas.

Para muitos, como o Nobel da Economia Paul Krugman, colunista do New York Times, a proposta de Walker é um sério ataque contra direitos democráticos conquistados nos últimos 50 anos. 

O senador democrata de Wisconsin, Bob Jauch. diz: "O que está a acontecer no Wisconsin é o fim do processo democrático." 







Em qualquer parte do mundo: The People United Will Never be Defeated!


Encurralado

20 de fevereiro de 2011

Ciao Modena City Ramblers, ciao Banda Bassotti



Banda que começou por ser apenas um agrupamento informal de amigos que se juntavam pelo prazer de tocar folk irlandesa para família e outros amigos e companheiros. Com Pogues e Watherboys num horizonte mais ou menos longinquo e começando a escrever os próprios temas, a banda alcançou a maioridade num registo de Folk Combat (primeira maqueta), fundindo o folk céltico, com punk e baladas extraídas da mais profícua e bela tradição musical da resistência antifascista italiana.
Nos anos que se seguiram, os Modena City Ramblers ganharam reputação como uma poderosa banda ao vivo, realizando concertos por toda a Europa e aderindo naturalmente ao circuito internacional de música progressista e de intervenção, que lamentavelmente parece nada querer com Portugal.
Assim mesmo se definem:

“A banda é composta de pessoas que compartilham um sonho: a música é um caminho que pode conduzir a uma "utopia". Esta crença baseia-se nas lições dos mestres do folk com a filosofia da revolução punk. Afinal, "qualquer lugar" é o significado da palavra utopia e como o escritor mexicano e nosso grande amigo Paco Ignacio Taibo II disse: "não se pode viver sem utopia".

Esta afirmação é obviamente verdade na mente dos milhares de admiradores que apreciam os concertos dos Modena City Ramblers!

Esperamos que na tua também, Maria!

E agora também de Itália, para te regalares Banda Bassotti.

19 de fevereiro de 2011

Desfeitas as ilusões no Brasil

O governo brasileiro liderado pela presidente recém eleita, Dilma Rousseff, anunciou, dia 9, um drástico programa de cortes orçamentais à altura de 30 mil milhões de dólares (22 mil milhões de euros), alegadamente para travar a subida da inflação, mediante a redução da despesa pública, e assim «assegurar o crescimento durável» da economia brasileira.

Os cortes, que correspondem a 1,2 por cento do PIB, afectarão todos os ministérios e são mais um motivo de contestação para os sindicatos, cuja maioria apoiou a eleição de Dilma.

Na verdade, as relações com os sindicatos agravaram-se nas últimas semanas em torno da proposta de actualização do salário mínimo. O governo encerrou unilateralmente as negociações impondo um aumento de apenas 35 reais (15.50 euros). Assim, o salário mínimo passará dos actuais 510 reais para 545 (cerca de 241 euros).

Os sindicatos exigem 580 reais e lembram à presidente que durante a campanha eleitoral prometeu um aumento real da remuneração mínima. Ora, o valor proposto mal cobre a inflação oficial que atingiu os 5,9 por cento em 2010, ano em que o Produto Interno Bruto cresceu 7,5 por cento.

Passado pouco mais de mês e meio de ter entrado em funções, o governo de Dilma tem já contra si os principais sindicatos do país, que ameaçam com um surto de greves e manifestações caso a presidente não dê o braço a torcer.

Por outro lado, o distanciamento do Irão e a aproximação aos EUA, o anúncio de privatizações e de uma reforma da Segurança Social, para além dos cortes orçamentais que se reflectirão sobre os salários dos funcionários e serviços públicos, são outros sinais claros de que o governo de Dilma, já sem as preocupações de cosmética do seu antecessor, pretende favorecer abertamente o capital monopolista à custa dos interesses e direitos dos trabalhadores e de amplas camadas da população.

Mulheres da Revolução






Vejam aqui um belíssimo trabalho da Al-Jazeera sobre o papel das mulheres na revolução egípcia.

15 de fevereiro de 2011

Entra em cena a classe trabalhadora



A revolução egípcia entrou na segunda fase, após a clara vitória do levantamento popular que resultou na saída de Mubarak.

Esta saída, apesar de ser um abalo fortíssimo, não representa o fim do regime. O poder está agora nas mãos do exército que é o pilar fundamental do regime de Mubarak e que ao longo dos 18 dias da contestação se posicionou para assumir o controlo da transição.

A entrada em cena da classe trabalhadora egípcia parece ter sido o elemento que forçou o exército a tomar a decisão de expulsar Mubarak. O activismo operário no Egipto não é novidade e nos últimos anos tem vindo a reforçar-se em condições de grande repressão. Se as gigantescas mobilizações deixavam o regime sem iniciativa, a possibilidade de paralisar a produção e privar o regime do seu sustento ditaram o desfecho. As contas que os militares fizeram são simples:

Revolta política generalizada + greve generalizada = revolução social

Daí a despacharem o esclerosado ditador para Sharm El-Sheik foi um instantinho. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

Mas neste momento parece que o exército vê comprometida a sua autoridade para defender os dedos. Uma onda de greves está a alastrar pelo país e o exército parece por enquanto impotente para a conter. Um suposto decreto a proibir as greves não passou de um apelo televisivo a que os egípcios voltassem ao trabalho.

Um dos resultados do curso intensivo em democracia que as massas egípcias frequentaram durante 18 dias é a eliminação das barreiras entre as reivindicações económicas e as reivindicações políticas. Hoje todos sabem que a miséria era uma das ferramentas de controlo social do regime. Que não vai haver uma vida melhor sem limpar o país de todos os responsáveis políticos pelo tenebroso reinado de Mubarak.

O músculo ganho pelo movimento sindical nos últimos anos e a sua entrada em cena no momento actual são peças fundamentais para conseguir a eliminação total do antigo regime. A consciência política e capacidade de mobilização das massas é uma arma fundamental para limitar a capacidade de repressão do exército. O movimento ainda não tem um sector dirigente e esse será também um dos focos da luta dos próximos tempos. Suspeito que não deixaremos de ouvir falar do Egipto assim tão cedo.


13 de fevereiro de 2011

Mitos da revolução egípcia


Barack Obama falou ontem ao mundo. Um discurso aguardado com curiosidade por ser o principal aliado e o principal beneficiário da tirania de Mubarak. Estando na delicada posição de ter que abordar um situação cujo desfecho é ainda totalmente imprevisível mas que é por enquanto bastante desfavorável Barack Obama teve a inteligência de tecer loas aos revolucionários e de caminho começar a propagar os mitos que mais convém aos interesses dos Estados Unidos. Realço dois:

1 – Uma revolução pacífica

Quando Obama fala de uma revolução pacífica, é óbvio que o seu objectivo é desarmar a próxima revolução (Argélia? Iémen?). Numa situação tão complicada nada seria melhor do que revolucionários a enfrenta a polícia com “a força moral da não-violência”. A ideia faz um discurso bonito mas é uma grosseira distorção da realidade porque esta primeira grande vitória da revolução egípcia só foi possível porque o povo soube usar a violência. Primeiro entre os dias 25 e o dia 28 (em que a polícia desapareceu e o exército veio para a rua) as lutas de rua foram brutais, generalizadas e mortíferas. Em quatro dias de combates o povo mostrou ao regime que estava na rua para ficar. Depois, no dia 2 de Fevereiro e na madrugada do dia 3 os manifestantes da Praça Tahrir tiveram que enfrentar uma turba de mercenários de Mubarak montados em cavalos e camelos, armados com bastões, espadas e armas brancas e como mais tarde se viu, apoiados por elementos policiais com armas de fogo, e apenas com as pedras da calçada e a sua determinação em não perder a revolução, lutaram, capturam, espancaram e prenderam muitos mercenários. Resistiram uma noite inteira em que tudo parecia perto do fim. Na manhã seguinte tinham conseguido repelir o ataque, construído um sistema de barricadas e assegurado a posse da praça que se tornou o símbolo e o epicentro da revolução. Mais de 300 pessoas morreram em todo o processo, nada de muito pacífico.

2 – Ecos da história

Obama tenta integrar a revolução egípcia na linha da queda do muro de Berlim, da revolução na Indonésia em 1998 e na independência indiana (“pacificamente” liderada por Ghandi). Tudo casos em que a coisa correu bem ou seja, países que hoje estão plenamente integrados no sistema capitalista mundial. Que é este o desejo dos Estados Unidos é algo que eles não escondem, mas nesse momento trata-se apenas de um exercício de whishful thinking. Mas é também um exercício de comparações enganosas. Quando o Muro de Berlim caiu os Estados Unidos assistiam à derrota do seu principal inimigo. Quando Mubarak cai, os Estados Unidos assistem à queda de um dos seus principais aliados. Se a revolução egípcia resolver acabar com o bloqueio a Gaza veremos o que Obama vai ter a dizer sobre este insaciável apetite dos povos pelo derrube de muros.



12 de fevereiro de 2011

Uma nova humanidade nasceu na Praça Tahrir

Um relato comovente sobre a revolução egipcia para quem quer perceber a profundidade da transformação que se está a dar no Egipto. Em inglês e infelizmente sem legendas.

Este video foi colocado no youtube a 10 de Fevereiro, no dia anterior à partida de Mubarak. Foi também descaradamente copiado de um post de Renato Teixeira no 5 dias.